figurinhas do rock: Deep Purple
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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Discos Injustiçados: Shades Of Deep Purple - Deep Purple


Venho hoje falar de um disco do Deep Purple que a maioria das pessoas sequer sabe que existe, e com certeza é considerado um dos mais inexpressivos do Purple.

O disco de estréia do Deep Purple merece destaque no mundo da música por “não parecer” Deep Purple. Ora, como assim?

Bom, é que primeiro é necessário se ambientar a época em que ele foi feito. Era 1968, e o Rock tal como o conhecemos ainda não havia sido criado. Hendrix havia despontado em Londres há pouco tempo, Jimmy Page ainda estava formando o Led Zeppelin, os Beatles ditavam as regras, e não havia nenhum padrão sobre o que era rock pesado ainda.

Então cinco cabeludos se uniram através de uma idéia no mínimo inusitada de Chris Curtis, na qual vários músicos talentosos se uniriam e revezariam em volta da sua bateria, como num carrosel (o nome do grupo seria Rondabout).

Mas Curtis saiu do grupo, e os restantes tinham uma gravação marcada e poucas músicas para compor o disco. Ora, e o que fazer agora? Em grupos comuns uma situação dessas seria desastrosa, mas esse não era um grupo comum.

De nome novo (Deep Purple, nome da canção favorita da avó do guitarrista Ritchie Blackmore) juntaram as composições prontas e fizeram releituras de músicas famosas na época, entrando em estúdio e gravando o primeiro álbum, Shades Of Deep Purple.

O álbum traz os moles do que seria o Purple, mesmo estando absurdamente distante do som pelo qual o grupo seria conhecido. Os duetos de teclado e guitarra entre Ritchie Blackmore e John Lord já podem ser ouvidos, embora de forma mais contida, e a sessão rítmica da banda cumpre bem seu papel, sem excessos nem exibições pessoas, tocando o necessário (esse, aliás, que é um dos princípios do grupo).

O som tende para o Progressivo em alguns momentos, o que pode ser visto na faixa inicial, And The Adress, um instrumental de grandíssima qualidade, com os riff’s simples e gostosos de ouvir do grupo já aparecendo. Em seguida é a vez de Hush, música do artista Joe South, que tornou o Purple bastante popular nos EUA. É dançante, poderosa e contagiante. Uma bela escolha de cover, sem dúvida.

Mais uma original do grupo em One More Rainy Day, música mais lenta e embalada, que me lembrou um pouco os Beatles, e também Frank Zappa nos refrões. A música seguinte é dividida em duas partes, a) Prelude: Happiness e b) I'm So Glad, sendo a primeira uma introdução fantástica com base na música espanhola feita pela banda, e a segunda uma regravação de uma música do Cream. A união das duas ficou perfeita, muito harmoniosa, e parece que é uma música só.

Mandrake Root traz um estilo pulsante e contagiante, pesado e ao mesmo tempo plácida, realmente muito boa. A seguinte é uma grata surpresa para fãs dos Beatles. Trata-se da regravação da música Help, sucesso da banda na época, e que apresenta arranjos muito diferentes do original, e faz desse um trabalho surpreendente e único.

Love Help Me talvez seja a música que mostra mais presença do som futuro da banda, com ritmo mais embalado e rápido, instrumental simples e preciso em todos os sentidos, e com destaque para a bateria agressiva de Ian Paice, que surpreende pela precisão.

E, para encerrar, uma das melhores regravações que já vi, pois apresenta arranjos extremamente diferentes do original, da música Hey Joe de Jimi Hendrix, iniciada e terminada por melodias espanholas, que dão um toque especial ao som dinâmico da faixa.


Com certeza um dos grandes momentos dos anos 60, o início de uma das maiores e mais bem sucedidas carreiras já feitas até hoje, que merece estudo. Pode não possuir aquele som épico encontrado nos álbuns clássicos do grupo, mas foi o que possibilitou a criação dele, e de certa forma de toda a estrutura do Rock Pesado dos anos 70.


É um disco profundo, que tem um som diferente do habitual, e que deve ser ouvido com cuidado para ter sua proposta melhor dissecada.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Tommy Bolin – O Sucessor de Ritchie Blackmore

Thomas Richard Bolin (cruzes!) nasceu em 1° de Agosto de 1951, na cidade de Sioux, no estado americano do Iowa. Passou a maior parte da infância aprendendo a tocar bateria e piano, descobrindo e se apaixonando pela guitarra apenas aos 13 anos.

Na escola era bastante indisciplinado, sendo expulso aos 16 anos por não querer cortar o cabelo. Mudou-se então para Denver, onde ele montou a sua primeira banda, a American Standard.

No decorrer dos anos 60, ele já participava da banda Zephyr, que tinha algum sucesso local. No ano de 1971 saiu para montar um grupo influenciado por jazz rock, o Energy. Nessa época a fama de Tommy como guitarrista já era grande, mas não possibilitou que a banda conseguisse um contrato de gravação, apesar de ser famosa no circuito de shows.

Foi nessa época que o baterista da banda Mahavishnu Orchestra, Billy Cobham, convidou Tommy Bolin para ser o guitarrista no seu próximo álbum solo, o lendário Spectrum, lançado em 1973. Foi um momento bem importante para Tommy, que se tornou um nome importante no mundo do Rock. A seguir, num ato discutido até hoje, Tommy entrou na James Gang, ocupando a vaga de Joe Walsh que havia ido para o Eagles, fazendo-o retornar para o hard rock. Com eles gravou apenas dois discos, o Bang de 1973, e o Miami, de 1974.

Foi morar em Los Angeles, onde participou no disco Mind Transplant, junto com o baterista Alphonse Mouzon, ex-músico da banda de jazz rock Weather Report, que foi considerado o melhor da carreira de Mouzon. O disco garantiu finalmente a Tommy o tão aguardado contrato para a gravação de um disco solo.

Touched By Magic: The Tommy Bolin Story (front cover)
Ele tá com a careta do Steve Vai ou é impressão minha?
Nessa época Ritchie Blackmore abandonou o Deep Purple para montar a sua própria banda, o Rainbow, o que fez com que Tommy fosse convidado para entrar no Purple. Participou no início de 1975 da gravação da banda canadense Moxi e no fim desse ano gravou o Teaser, primeiro disco solo de Tommy, e também o disco Come Taste The Band, do Deep Purple. Na turnê mundial que se seguiu, o Purple deixou Tommy apresentar uma música do Teaser por show.

Infelizmente Tommy tornou-se viciado em heroína, o que estragou suas performances ao vivo. Houve inclusive um show em que Bolin teve o braço paralisado em virtude de uma aplicação mal feita, o que fez com que ele pudesse fazer apenas as bases, enquanto o tecladista fez todos os solos.

Depois disso ele seguiu com sua própria banda, tentando gravar o seu segundo álbum, que ele pretendia fazer duplo, mas que, por falta de dinheiro, obrigou-o a fazer simples. Ele chamou-se Private Eyes, e marcou a última turnê de Tommy. Para mantê-la, ele teve que abrir shows para outros artistas, como Peter Frampton e Jeff Beck, esse último no dia 3 de dezembro de 1976.

Após o show Tommy participou de uma festa, que teve muita cerveja, champanhe, cocaína e por último a heroína. Mas essa festa danificou seriamente a sua saúde, e de manhã a sua namorada chamou uma ambulância, que não conseguiu levar Tommy a tempo até um hospital. Morreu com 25 anos em 4 de dezembro de 1976. R.I.P.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

1977: O Início do Fim

A maioria dos rockeiros autênticos (inclusive eu) acredita que a década de 70 foi a Era de Ouro do Rock. Foi nessa década que artistas como Led Zeppelin, Deep Purple, Jethro Tull, Black Sabbath, Frank Zappa, e outros mais aprimoraram suas capacidades musicais, e expandiram os limites do Rock. Para fazer sucesso era necessário SABER TOCAR BEM.
Mas, no final dessa década, grupos de jovens descontentes com essa necessidade começaram a repudiar esses Monstros Sagrados do Rock, acusando-os de EGO-MANÍACOS (com uma certa razão), e espalhando a filosofia de que a música poderia ser extremamente simples e fazer sucesso.
Foi aí que bandas como The Sex Pistols, The Clash e Ramones (por algum motivo desconhecido, a maioria tem o The antecedendo o nome) começaram a fazer atrocidades de no máximo 3 minutos, com uma simplicidade assombrosa, na maioria das vezes power chords mal feitos tocados em velocidade extrema, vocais ruins e repetitivos e pouco ou nada de solos.

E o que aconteceu? O movimento Punk rapidamente se espalhou, e modificou DEFINITIVAMENTE a cara do Rock.

Não nego: em alguns aspectos o Punk foi importante, mas não pode-se negar que ele foi o "estilo musical" que abriu portas para o fim do rock como o conhecemos. Depois dele artistas como Nirvana puderam surgir e destruir de vez a imagem desse poderosos estilo.
Hoje em dia, QUALQUER UM pode tocar dois ou três acordes e dizer que toca bem...

Triste...