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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Semana Especial Led Zeppelin - Dia VII - O Preço de Lucifer

Venho hoje para falar dos dois pontos finais da carreira do Led: a última turnê americana de 1977 (antes do lançamento de In Through The Out Door e a morte de John Bonhan). Espero que gostem!

(Notaram na cara de chapado de Jimmy Page?)

A turnê americana de 1977 foi um desastre, tanto em termos técnicos quanto de imagem. Foi programada e dividida em três partes, com shows em grandes estádios, todos com ingressos esgotados. 

Mas, durante essa época, Page estava viciado em heroína, e já havia se tornado escravo da droga. Tinha também aderido a uma dieta de líquidos, o que o emagreceu muito. Sua performance no palco foi em alguns shows no mínimo desastrosa, com um show (não me lembro em que cidade) que teve de ser interrompido após Page cair no chão (disseram que Jimmy teve um desconforto estomacal e que logo voltariam, mas não voltaram).

Em outro show, nova interrupção, por que Page estava tentando tocar Stairway To Heaven no braço errado de sua guitarra dupla, algo reforçado por bottlegs da época. 

O repertório do show teve várias variações, e pela primeira vez o público pareceu impaciente com a apresentação da banda. Nessa época, o solo de Bonzo em Moby Dick era de 45 minutos, e a música No Quarter era ampliada até mais de 30 minutos.

Mas não era só no palco que aconteciam problemas. Quando um garoto tentou tirar uma placa com o nome da banda de um trailer da equipe, um dos seguranças repreendeu duramente o garoto, chegando a dar-lhe um tapa. O único problema é que o garoto era filho de Peter Grant. Bonzo, que assistiu a cena correu e falou a Grant, que se enfureceu. Ele, Bonzo e mais dois capangas foram até onde estava o segurança, um trailer, e deram uma surra monstruosa nele. Ele só conseguiu fugir quando um deles tentou lhe arrancar um olho (!)

No dia seguinte, uma divisão da SWAT cercou o prédio onde estava a banda, prendendo os quatro envolvidos por agressão. Eles ficaram algumas horas na cadeia e depois saíram após pagar fiança.

Em relação às drogas, nessa época eram compradas centenas de gramas de cocaína e muitas outras drogas, e havia uma revendedora que trabalhava exclusivamente para a banda. Bonzo se afundava cada vez mais na bebida, pedindo muitas doses de bebida seguidas ao entrar em um bar, empinando-as logo em seguida. 

A segurança da banda também havia alcançado proporções gigantescas, e haviam vários "capangas" para cada membro das banda, muitos tinham passagem pela polícia e eram verdadeiros bandidos, sempre carregando armas consigo.


Em 1978 retornaram para os estúdios e gravaram In Through The Out Door (do qual falei no post anterior), que seria seu último álbum de estúdio.

Durante o início dos anos 80, o Zeppelin começou uma turnê comemorativa pela Europa chamada Zeppelin Over Europe 80, quando tocaram Train Kept A-Rolling' no início dos shows, a primeira música que haviam tocado juntos, e algo que queriam mostrar ao público.

Após essa turnê se reuniram para ensaiar para a próxima turnê americana, e no dia 25 de Setembro de 1980, durante uma das já famosas festas da banda, Bonham, que pra variar havia bebido demais, foi colocado em uma cama em um dos quartos da mansão de Page, onde morreu asfixiado no próprio vômito. Estima-se que ele tenha consumido cerca de 40 doses de Vodka antes de "capotar" e ser colocado lá. 

A banda, chocada com o acontecimento, imediatamente deu uma nota à imprensa dando a banda como encerrada, por não acharem possível prosseguir sem Bonham.


AGRADECIMENTOS FINAIS

Gostaria de agradecer imensamente a todos aqueles que acompanharam essa semana especial com atenção e vem comentando, complementado e elogiando meus posts.

Agradeço também ao meu irmão, que me emprestou seus dois livros do Led Zeppelin que serviram de pesquisa para esses posts...

Então é isso, espero que tenham gostado, e Muito Obrigado a todos! 

domingo, 12 de setembro de 2010

Semana Especial Led Zeppelin - Dia VI - O Início Do Fim

É caro leitores, venho nesse domingo chuvoso aqui em São Sebastião do Caí - RS para falar sobre o início da parte mais negra da carreira do Led Zeppelin. Espero que gostem!


Depois do sucesso estrondoso do Physical Graffiti, a banda fez uma pausa nas turnês,  continuando gravando imagens para seu primeiro show lançado em grande escala (nessa época haviam muitos bootlegs de shows da banda, mas nada oficial).

Mas, durante um intervalo, em um acidente de carro com sua esposa e amigos em Rodes, na Grécia em 5 de Agosto de 1975, Plant quebrou um tornozelo, e a previsão inicial era que talvez tivesse dificuldades para andar pelo resto da vida.

É engraçado, que, ao ir para o hospital, Plant ficou dividindo o quarto com um soldado bêbado que insistia em cantar a música The Ocean do The Houses Of Holy para ele.

Assim, a banda teve de fazer uma parada forçada enquanto Plant se recuperava. Plant ficou na ilha de Jersey, onde escreveu várias letras para futuras músicas e depois foi para em Malibu, junto com Page, onde as idéias musicais foram completadas.

Assim, vendo que talvez o melhor que poderia fazer era trabalhar enquanto se recuperava, a banda entrou nos estúdios para gravar o novo álbum. Durante essas sessões, ao se levantar para esticar um pouco as pernas, Plant perdeu o equilíbrio e caiu sobre a perna fraturada, e um barulho fortíssimo de algo se quebrando invadiu o lugar. Ao cair, Plant gritou: "DE NOVO NÃO!", e, por sorte, nada havia se quebrado novamente, para alívio de todos.

Após três semanas, as gravações foram concluídas, com Page chegando a tocar sem parar por 14 HORAS, quando seus dedos não conseguiam mais se mexer, e dormindo no chão do estúdio. 

Assim, no dia 31 de março de 1976 o disco foi lançado, alcançando logo o disco de platina (o motivo maior para isso foram as encomendas antecipadas dele). Já fiz uma resenha dele, mas vou falar de outros detalhes não apresentados nessa resenha.


À princípio teve uma procura bastante grande, e algumas de suas músicas tocaram em rádios, porém, em pouco tempo o interesse do público por ele diminuiu bastante, e é um dos poucos lembrados, e considerado o menos inspirado do grupo.

Tem forte influência na guitarra de Page, sendo que ele e Plant compuseram todo o álbum, enquanto Jones e Bonzo apenas tocaram. Jones não gosta muito dele (acredito que por esse motivo), mas, para Page, é um dos melhores do Led. É parecido com O Led I pelo controle absoluto da guitarra de Page, algo não ocorrido em álbuns anteriores.

As letras representam toda a raiva e veneno de Plant por estar naquela situação, e ele fala inclusive da banda, dizendo que "tenho amigos que me mandariam à merda" (na letra da música Hots On For Nowhere), mensagem feita para Page e Peter Grant, que pareciam não se importar muito com sua situação.

Polêmicas à parte, pra mim o disco é excelente, um dos meus preferidos da banda. Inicia com a longa e incrível Achilles Last Stand, com arranjos de guitarra espetaculares. É seguida da mais lenta e bluseira For Your Love, com um vocal que mostra a queda da capacidade vocal de Plant, que parece ter maior dificuldade para alcançar notas mais altas.

Royal Orleans possui riff's bem interessantes, com um ritmo mais funk que agrada aos ouvidos, possuindo um solo espetacular de Page. Em seguida, Nobody's Fault But Full Time, traz um ritmo mais lento com lick's em paradas, mas mesmo assim com toda a pegada e ritmo clássicas da banda, e um solo de gaita de boca muito bom. Candy Store Rock, a mais animada do disco, traz vocais e riff's mais vibrantes, mas parece não apresentar a mesma vibração de músicas como Rock and Roll e Good Times Bad Times.

Hots On For Nowere merece destaque pela excelente construção melódica, com bastante ênfase para o baixo de Jones, mas sob o domínio de Page. Tem um solo mais lento e muito bom. 

E para encerrar o álbum, uma música de que gosto muito, Tea For One, música absoluta de Page, com solos e linhas melódicas bem construídas, vocal calmo e maior experimentação. Possui um clima de blues bem plácido, mas excelente.


Para dar um gás, no fim de 1976 ano foi lançado o disco The Song Ramains The Same, o show ao vivo oficial da banda. teve boa receptividade por parte dos fãs, e vendeu relativamente bem.

Depois da recuperação completa de Plant, a banda recomeçou a fazer shows, todos com lotação esgotada. Mas a tragédia parecia estar contra a banda, e, em 27 de Julho de 1977, o filho de Plant, Karac, morreu devido a uma infecção estomacal estranha, e a turnê que estavam fazendo nos EUA foi parada na hora. Para Plant foi um golpe bastante duro, e os sensacionalistas que já tinham a banda como maldita especularam até sobre o fim da banda.


Depois de uma parada de quase um ano, a banda se reuniu novamente para gravar seu oitavo álbum (e último, embora eles não soubessem disso na época). Assim, em 15 de Agosto de 1979 foi lançado In Through The Out Door, último disco da banda. Tinha 6 capas diferentes, escondidas por um papel e ao comprar o disco o fã nunca sabia qual capa estava levando.

Trazendo um bom equilíbrio entre tudo o que já havia sido feito pela banda, não é um álbum excelente, mas que possui suas qualidades.

Em parte, o vício de heroína vivido por Page na época contribuiu para a fraca musicalidade do disco. Gosto de comparar esse disco com o Led IV, que representou o ponto máximo da parte inicial do grupo, enquanto In Through The Out Door é o ponto final da carreira da banda, exatamente os dois "4" da carreira do Led, iguais nos números mas diametralmente opostos na sonoridade.

Inicia com In The Evening, música mais obscura, com uma longa introdução, e um solo muito bom de Page, contando também com um belo dedilhado e um vocal bom (não excelente). É seguida de South Bound Saurez, música com mais teclados e com um ritmo mais dançante, mas que não empolga. 

Fool In The Rain traz uma pegada mais "exótica" com partes lembrando música havaiana. Prosseguindo o set, Hot Dog traz uma pegada sulista bem interessante, com um ritmo bem dançante "arrasta pé". Tem um solo bem interessante com bastante pegada. Em seguida, Carouselambra, música mais longa, minha preferida do disco, traz um uso maior de teclado, que dá um belo contraponto à faixa. É bastante experimental, com várias texturas dentro de seus 10 minutos.

All My Love traz uma pegada pop melosa (foi composta por Plant para seu filho morto), e é uma das músicas mais conhecidas da banda. Não a acho excelente, mas tem uma sonoridade bem interessante. 

E, para encerrar o último álbum do Led, I' Gonna Crawl, baladona com um clima épico de arrepiar, e um solo F-A-N-T-Á-S-T-I-C-O de Page, com uma batida muito boa e calma de Bonzo.


Para encerrar esse post gostaria de falar do que os anos finais representaram para o Led. Tendo dinheiro para nunca mais trabalhar, parece que o grupo se entregou de vez, se preocupando mais com vícios do que com a música. 

É triste ver que um grupo com o talento monstruoso do Led tenha se deixado levar por drogas e álcool. Embora é necessário ver que os anos 70 foram os anos da liberdade, onde tudo parecia possível, drogas eram vistas como "aliadas" de um músico, a AIDS ainda não existia, e todos queriam apenas se divertir.

Somente hoje em dia é possível ver como aqueles caras estavam errados, mas acho que não há como recriminá-los por uma coisa cultural da época.

Embora a carreira do Led tenha caído de maneira vertiginosa nos últimos 5 anos de existência do grupo, eles não estavam preparados para o capítulo final dessa história, que contarei amanhã...

(Era para a semana especial ter terminado hoje, mas como quinta feira não postei, vou terminar essa semana amanhã).

sábado, 11 de setembro de 2010

Semana Especial Led Zeppelin - Dia V - Os Anos Dourados

Após o sucesso estrondoso do Led IV, começou a fase de maior sucesso da banda, aquela em que faziam shows de mais de quatro horas em estádios lotados, tinham todas as Groupies que quisessem e tinham dinheiro para limpar as nádegas.

Fizeram várias turnês, tanto nos EUA e Inglaterra quanto em outros lugares do mundo. Ao tocar no Japão, se surpreenderam com a platéia, que somente aplaudia ao fim das músicas, ficando quietos o restante do tempo, algo totalmente oposto às platéias americanas, que gritavam e pareciam ensandecidas durante todo o tempo do show.


Nessa época Bonzo começou a ficar bastante desagradável, bebendo demais e descarregando toda a sua energia na destruição de quartos de hotéis. Certa vez, numa festa, ele e Cole (técnico da banda e companheiro de farras de Bonzo) bateram em um homem por bobagem e depois tocaram dinheiro na cara dele, como se isso fosse compensar a atitude animal deles.

Mas, mesmo depois desses acontecimentos, a banda volta ao estúdio em 1972 para gravar seu próximo álbum. Foram para Headley Grange com o estúdio móvel dos Stones, e lá começaram a trabalhar nas músicas. 


Conseguiram concluir ele relativamente rápido, e em 28 de Março de 1973 ele foi finalmente lançado. Chamado Houses Of The Holy, assim como o Iv não vinha com nenhuma informação na capa, apenas dentro do LP.

Traz uma sonoridade bastante particular,  mais voltada para o funk e reggae e com maior elaboração, mas que na minha opinião é menos expressivo que os álbuns anterior e posterior. 

Inicia com a pesada e dinâmica The Songs Remains The Same, realmente uma música excelente, com a levada clássica da banda.

Em seguida, The Rain Song traz uma sonoridade calma (beirando o depressivo) com vocal suave e um violão bem executado. É seguida por Over The Hills And Far Away, uma música mais blues e com uma pegada bem característica de Page.

A faixa seguinte, The Crunge, é um funk tributo a James Brown, com um baixo e guitarra espetaculares, e um vocal muito bom de Plant. Nome de novela? Talvez, mas Dancing Days traz um funk mais profundo e calmo, com um tom bastante interessante, em que Page usa um slide, algo raro, pois essa é uma técnica que Page nunca havia explorado profundamente, mas que caiu bem na faixa.

D'Yer Mak'er traz um reggae bem interessante, embora eu não goste muito do estilo, devo adimitir que a banda construiu com maestria a faixa. É uma das mais famosas da banda, conhecida até por quem não gosta de rock (a faixa definitivamente não é rock!).

E finalmente o melhor do disco! No Quarter traz uma mistura bastante incomum, com o uso de sintetizadores e teclados mais proeminentes (Jones realiza inclusive um solo). O riff de guitarra que entra depois da introdução é F-A-N-T-Á-S-T-I-C-O, com uma pegada épica muito boa, e vocal com efeitos. Pra mim é um ponto importante na musicalidade da banda, que abriu caminho para músicas como Kashmir no disco seguinte.

E, para encerrar o disco, The Ocean, dedicada ao "oceano" de fãs que ia nos shows da banda. Possui um clima bluseiro de alta qualidade, com uma batida muito boa, baixo suingado e guitarra com muita pegada.


Houses Of The Holy vendeu bem, e manteve a fama da banda em alta. Foi o último álbum da banda lançado pela Atlantic. Em 1974 o contrato feito por Grant de cinco anos terminou, e em vez de fazer um novo, a banda preferiu criar um selo próprio, algo que os Beatles e os Rolling Stones já haviam feito antes. Foi lançado oficialmente em 10 de maio de 1974.

Ao contrário dos selos das outras bandas, feitos por "vaidade", o selo do Zeppelin realmente lançou discos de outros artistas, como Bad Company, Pretty Things e Dave Edmunds.

Nesse selo foi lançado o 6° álbum da banda em 1975, o incrível Physical Graffiti, aclamado por muitos (inclusive por mim) como o melhor álbum da banda. 

Mais uma vez, as gravações foram iniciadas em Headley Grange, e concluídas em Island Studios. Foi o primeiro disco duplo do Led, que aproveitou canções inacabadas de álbuns anteriores. 

Inicia com a excelente Custard Pie, com seu riff inconfundível, e um vocal de arrepiar. É seguida da incrível The Rover, com uma batida excelente, muito peso e um riff incrível, talvez um dos melhores da banda.

Blues em In My Time Of Dying, música mais longa da banda lançada em um disco de estúdio. Possui um início mais calmo, mas depois o peso entra e Page executa uma guitarra slide incrível. 

Houses Of The Holy? Sim, essa canção foi a que deu nome ao disco anterior, mas não foi incluída entre as músicas. Possui bastante peso, mas com um ritmo mais dançante. 

Pop em Trampled Under Foot, mais liderada pelos teclados de Jones que pela guitarra de Page. Mesmo assim possui um instrumental de qualidade, e um vocal rasgado e uivante. É seguida pela melhor do álbum, Kashmir. Realmente não há palavras para a descrever, possui um clima denso e épico não encontrado em outras músicas da banda, instrumental hipnótico e vocal desconcertante. 

In The Light traz uma longa introdução de teclado, que é seguido por uma música mais lenta com um violão de grande qualidade. Possui lick's de guitarra em certas partes muito bons, mas que talvez não se comparem a outros já criados por Page. 

Bron Yr Aur é uma sobra do Led III, e nada mais é do que um instrumental de violão. Com uma pegada mais pop, Down By The Seaside traz uma melodia "chiclete" que realmente fica na cabeça.

Mescla de um som acústico com elétrico em Ten Years Gone, que apesar de não ser uma grande canção possui uma melodia bem interessante. É seguida de mais uma música baseada no teclado, Night Flight, que tem um vocal excelente, e uma guitarra que quase não aparece.

Agora sim o som clássico do Led voltou! The Wanton Song lembra bastante as músicas do led II, pelo riff pesado, baixo suingado e bateria muito boa. Boogie With Stu possui uma batida que lembra uma bateria eletrônica, com um teclado e vocal que lembram bastante aquelas músicas de bar de faroeste. Realmente muito boa, tem um ritmo dançante contagiante. 

Black Country Woman traz, um blues acústico, traz linhas de gaita de boca muito boas. Abre espaço para a faixa final do disco, Sick Again, um blues elétrico de grande qualidade, peso e uma guitarra muito bem executada, realmente um excelente final para um álbum excelente...


A fase de ouro da banda foi caracterizada por muito dinheiro, excessos dos músicos, drogas, álcool, e também por álbuns excelentes. Apesar disso ter ocorrido durante toda a carreira do Led, mas nesses anos foi quando a banda começou a se desgastar depois de tanta loucura e viagens. 

Mas o sucesso não dura para sempre, e, como diria aquela lei da física, tudo o que sobe tem que descer (até um zepelin)...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Semana Especial Led Zeppelin - Dia IV - Do Inferno Ao Céu

Enquanto a fama do Zeppelin crescia rapidamente e o dinheiro começou a chegar, os excessos tão conhecidos da banda começaram. Foi aí que televisões, geladeiras cheias de roupas íntimas femininas e outras coisas começaram a voar pelas janelas dos hotéis. 

Depois de uma tulmutuada turnê, Bonzo e Jones tiraram férias para visitar a família, enquanto Plant e Page foram para uma Bron-Yr-Aur Stomp, uma cabana no País de Gales famosa e cheia de lendas. Lá, começaram a compor para o próximo álbum, e os dois desenvolveram uma grande afinidade nesse tempo. 


Imagem
Andavam pelo campo perto da cabana, Page com um violão nas costas, e compuseram assim boa parte do disco. Quando voltaram para a "civilização", mostraram as canções para Bonzo e Jones, que gostaram, e assim entraram no estúdio para gravar.

Como no disco anterior, Led Zeppelin III teve problemas na hora da gravação, mixagem e montagem da arte da capa, o que atrasou o lançamento, e obrigou Jimmy Page a gravar durante a turnê (o que já havia feito nos álbuns anteriores). 


Na hora da mixagem final, o técnico perguntou a Page se ele queria gravar alguma mensagem no disco, e ele escolheu a frase "Faça tudo o que quiserdes, isso há de ser toda lei" de Alester Crowley, escrito como "Faça tudo o que quiserdes, assim seja", o que serviu para fazer fanáticos religiosos os chamarem de satanistas.

Por fim, em 5 de Outubro de 1970 saiu o disco mais criticado e menos vendido da carreira da banda, Led Zeppelin III.

Trazendo um som mais baseado no Folk, o disco trazia um som mais plácido bastante diferente, que desagradou os fãs. Estes esperavam uma "nova" Whole Lotta Love, mas, segundo Jimmy Page, eles nem tentaram isso, procurando fazer um som que refletisse a fase dos músicos naquele momento específico, que no caso era música mais folk.

Pra mim o disco é excelente (sou suspeito pra falar, mas tudo bem), trazendo músicas que fogem de todo aquele peso inicial, e que deram um novo gás ao som da banda.

Inicia com a pesada e dançante Immigrant Song, um clássico do disco (imortalizado no filme escola de Rock). Em seguida, a balada Friends traz a parte mais melosa do disco, sem deixar de ter qualidade, com uma pegada épica criada pelo teclado de Jones de arrepiar a espinha. Termina com um som de motor de zepelin que engata na próxima,  a mais pesada e também dançante Celebration Day traz um som mais parecido com o Led II, com um bom solo de Page.



Agora sim! O melhor do disco acaba de chegar. Since I've Been loving You, um blues incrível, na minha opinião o melhor já feito pela banda, com uma linha de guitarra no mínimo PERFEITA, com um som que vai evoluindo até um final apoteótico e hipnotizante. 

Mais uma música pesada em Out On The Tiles, essa com um apelo mais pop no refrão, mas de qualidade. Folk de muita qualidade em Galows Pole, com um vocal rasgado e imprevisível, e uma batida caprichada de Bonzo.

Tangerine, balada no início violão e voz e que incorpora outros instrumentos mais à frente, possui uma sonoridade bem interessante, com um pouco de country no solo. Depois a mais plácida do disco surge, Thats the Way, balada violão e voz, talvez a menos expressiva , mas que abriu caminho para músicas como Going To California no disco seguinte.

Mais uma violão e voz em Bron-Yr-Aur Stomp, porém com um rítimo dançante bem interessante, com as batidas sendo feitas por batidas de mãos. Bastante psicodélica, Hats Off To (Roy Harper) traz vocais e linhas de guitarra distorcidos, num som mais experimental, mas mesmo assim com a qualidade clássica da banda.


Mesmo com o trabalho que os músicos investiram no disco, ele não trouxe o retorno desejado, e as baixas vendas começaram a preocupar Peter Grant e a Atlantic. Assim, surgiu na banda a impressão que era necessário fazer algo arrasador, uma obra-prima capaz de alavancar de vez sua carreira e que os tirasse da lama.

Com esse espírito em mente, foram para Headley Grange durante um frio fortíssimo, em que a infra-estrutura do lugar não ajudava em nada para diminuir o frio. Mas por incrível que pareça, esse clima os manteve unidos próximos a lareira, e eu acho que foi bastante importante para a qualidade das músicas compostas. Utilizaram o estúdio móvel dos Rolling Stones para fazer as gravações, que ficaram excelentes.

O fluxo criativo intenso usado para compor as faixas é o mesmo apresentado no disco, e os microfones conseguiram captar todos os elementos das músicas, tornando esse um disco muito especial.

Já fiz uma resenha dele, mas vou escrever agora com os conhecimentos que adquiri recentemente. 

Lançado em 8 de Novembro de 1971, é lançado disco da banda, sem NENHUMA identificação na capa quanto ao nome da banda, do disco ou da gravadora. 

A capa, representa a união do velho com o novo, e o quadro do velho na parede foi um quadro comprado tempos antes por Robert Plant quando ele foi com Page em uma loja de antigüidades.

Inicia com a pesada e cadenciada Black Dog, que muitos relacionam ao demônio, mas que na verdade foi uma homenagem dos músicos à um cachorro que andava pelo estúdio na época da gravação.

Em seguida, a pesada, volumosa e mais rápida Rock and Roll traz toda a qualidade da banda na construção de um som vibrante e poderoso. 

The Battle Of Evermore, um tema mais leve e folk, teve bastante influência da história de Tolkien (O Senhor Dos Anéis), e teve nos vocais a parceria com Sandy Danny, o que causa um belo contraste de vozes, realmente muito bonito.

Ah! E finalmente "A Mãe De Todas As Baladas" apareceu! Stairway To Heaven é de longe a melhor e mais perfeita música composta pelo Zeppelin (e também a mais famosa), muito associada ao Diabo, e que ganha detalhes bastante completos da composição e gravação no livro Quando Os Gigantes Caminhavam Sobre A Terra. Pra mim essa música deve ter algo de demoníaco mesmo, por que ela é perfeita demais, me arrepiotoda a vez que a ouço.

Misty Mountain Hop traz uma pegada mais pop, com um ritmo hipnótico bem interessante e vocal inspirado. Em seguida, Four Sticks traz um som nem tão inspirado, mas que surpreende pelo fato de Bonzo à ter gravado com QUATRO BAQUETAS!!! Por isso o nome, e realmente é algo que deve ter influenciado gerações de bateristas.

Ah, mais um clássico! Going To California, acústica, é um dos pontos altos do disco, e se tornou um clássico nas apresentações da banda. Tem um bandolin excelente ao fundo, e mostra outra faceta da voz de Plant, mais suave e grave.

Ao ouvir When the Levee Breaks pensamos: "QUE BATERIA É ESSA!!!" Bonzo arrebenta na faixa, um blues com gaita de tirar o fôlego, de arrepiar, com um ritmo hipnótico e contagiante, realmente um belo final para esse álbum excelente.

plant-page.jpg


Do inferno ao Céu em um ano! Isso é que é carreira... 

Acho que o desastre do Zeppelin III talvez tenha feito os músicos se esforçarem mais na hora de compor, e talvez por isso o álbum tenha ficado tão bom. Depois do lançamento do IV, a carreira da banda realmente deslanchou, e a fama veio, e tudo parecia um mar de rosas. Será? É o que veremos amanhã...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

[RESENHA] CD Jethro Tull - Thick As A Brick - Island Records - (1972)

1) Thick As A Brick (Side One) ----- 22: 39

2) Thick As A Brick (Side Two)

----- 21: 07

DISCO

Verdadeira revolução no Rock Progressivo, esse disco fantástico é composto por UMA música, algo inovador, que fez com que esse disco fosse o mais vendido nos Estados Unidos na época.

O disco anterior (Aqualung) havia sido considerado conceitual, algo que o cantor e líder da banda, Ian Anderson negou veementemente. Então eles resolveram fazer uma obra REALMENTE conceitual nesse disco.

Na versão de 25° aniversário foram adicionadas duas faixas ao disco,

Thick As A Brick ao vivo no Madison Square, 1978, e uma entrevista com Ian Anderson, Martin Barre e Jeffrey Hammond-Hammond.

A capa original era uma espécie de paródia dos jornais locais, e trazia contos, notícias, propagandas... Mas o alto custo para imprimir o jornal fez com que fosse abolido ao ser lançado na América Latina e na Ásia.

MÚSICAS

1) Thick As A Brick (Side One / Side Two)

Composição extremamente elaborada, com mudanças constantes. Pode ser encaixada na categoria "Colcha de Retalhos", pois não é uma música que toca de forma ininterrupta, mas tem muitas partes encaixadas uma após a outra.

Tem muita influência do Folk, principalmente na guitarra, o que parece trazer um atrativo a mais à música. Possui muitos solos, tanto de guitarra, flauta e teclado, muitas mudanças na linha vocal e texturas diferentes dentro da composição.

A letra gira em torno de um poema escrito por um garoto fictício (Gerald Bostock), sobre as dificuldades de envelhecer. Até hoje muitos acreditam que o garoto é real, mas é só suposição.