figurinhas do rock: Música Clássica
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Por que Frank Zappa é um Gênio?

Há exatos 70 anos nascia um dos maiores gênios da história da música, Frank Vincent Zappa, o eterno "boca suja" que revolucionou o Rock, a Música Clássica e o Jazz.

O cara gravou, produziu, escreveu e fez tanta coisa que muito de seu acervo ainda está parcialmente inédito, e vai sendo liberado aos poucos para os fãs.

Sim, porque não é fácil ser fã de Zappa, ou pelo menos não é fácil se tornar um.

A GIGANTESCA quantidade de informações, texturas, e mudanças presente em sua música faz com que à primeira vista o som dele seja uma bosta chatice. Eu próprio achei uma porcaria o som dele a primeira vez que ouvi.

Mas não desisti, e venho conhecendo mais o som do cara esporadicamente, dando tempo entre a audição de um álbum e outro para melhor digerir o som e a proposta daquele trabalho.

Zappa fez praticamente de tudo em termos musicais, explorando absolutamente tudo que é possível explorar dentro de uma composição, e tornou-se mestre dos improvisos, algo que ele trouxe do Jazz, e que incorporou ao Rock e a Música Clássica. 

Mas você pode pensar: "Ora, como alguém vai misturar esses 3 estilos tão distintos de forma harmônica?" Bom, Zappa conseguiu. 

Jazz é puramente improvisação, e Zappa o uniu ao Rock que estava se formando nessa época, trazendo ainda a complexidade da Música Clássica para essa mistura e adicionando uma colherada (de sopa, das grandes) de sarcasmo. 

O que isso resultou? Freak Rock, o estilo que muitos consideram sendo o molde musical de Zappa.

Ele passou maus bocados em termos de dinheiro em vários momentos de sua carreira, mas parece que isso deu a Zappa um novo gás, e foi depois desses momentos que surgiram petardos como Hot Rats de 1969, tido por muitos como o melhor álbum de sua carreira.

E o interessante é que Zappa não se dedicou somente à sua música, mas produziu álbuns de muitos outros artistas, lançando nomes do quilate de Steve Vai, que fez parte de sua banda por algum tempo.

Escreveu e dirigiu filmes, escreveu diversos livros e fez muitas coisas, tudo isso em um frenesi que deixaria qualquer um desnorteado. Nunca ficou parado, sempre dedicando seu tempo a algo que o diferenciasse dos outros.

Na metade dos anos 80 entrou em campanha para ser senador do EUA, num grupo que pregava a liberação de letras explícitas ou satânicas em músicas, algo que Zappa queria que fosse classificado como Extorção da Indústria Musical (:P)

No início dos anos 90 descobriu que tinha um cêncer de próstata, e lutou até a doença o vencer em 4 de dezembro de 1993. No dia 6 a família dele disse a imprensa que o Compositor Frank Zappa foi para a sua última turnê pouco antes das 18:00 no sábado...


Então fica abaixo minha humilde homenagem a esse Mestre que deixou tanto em tão pouco tempo...




AH! E conhece aquele famoso efeito de guitarra chamado Wah-Wah? Foi Zappa o primeiro a utilizá-lo, no seu primeiro disco, Freak Out! de 1966.




R.I.P.

domingo, 29 de agosto de 2010

Innuendo - A Música Mais Completa de Todos os Tempos!





Muito se fala sobre "várias músicas em uma", termo bastante associado à certas músicas da banda Black Sabbath. 

Nesse quesito podem ser incluídas muitas músicas, mas há uma que na minha opinião é a mais completa de todos os tempos nesse quesito, por apresentar múltiplas influências, encaixadas de forma perfeita umas às outras. Ela se chama Innuendo, e está presente no último CD da banda Queen (antes da morte do mestre Freddie Mercury).



Para além de qualquer formato, a música é simplesmente impressionante, e apresenta Música Marcial (de exército dããã), Hard Rock, Música Espanhola, Música Clássica, tudo com uma pegada Épica de tirar o fôlego, em 6 minutos de puro Rock n' Roll!!!

Impressionante, a faixa mostra por que o Queen é considerado uma banda de Rock Progressivo, e foi uma bela despedida do cantor Mercury (R.I.P.). Ouça e comprove!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Aqua, Novo Álbum do Angra

É isso mesmo, mais uma grande banda com CD saído direto do forno...
Hoje, 17 de Agosto de 2010 foi o dia que a banda brasileira Angra escolheu para lançar seu novo álbum, o tão esperado Aqua. 
Dias atrás postei sobre a produção desse álbum, que foi registrada pela banda em uma série de vídeos, desde os primórdios da pré-produção feita pelos músicos até a mixagem do álbum.

Pois bem, o resultado de todo aquele duro trabalho está finalmente à disposição dos fãs da banda, em cinco versões diferentes (parecido com o álbum do Maiden, eu sei, mas fazer o que?). 

Acredito que nesse momento a melhor definição desse álbum que eu posso dar é: "Valeu à pena esperar!"
Assim como o novo álbum do Maiden, o som aqui capturado me surpreendeu muito, embora eu tivesse menos expectativas em relação ao Aqua por já ter certa noção do que seria apresentado nesse trabalho.

E, se você assistiu aos vídeos da pré produção, assim como eu, mas ainda não ouviu o disco, não se engane! O material apresentado nas filmagens é apenas o material bruto do álbum, sem tratamento, e não é completo. O som apresentado no álbum é infinitamente melhor que aquele!


Extremamente trabalhado, Aqua é realmente muito superior aos dois álbuns anteriores, trazendo o melhor do Angra e juntando mais dinamismo e detalhes às composições. Misturas equilibradas de peso, linhas progressivas, música clássica e virtuosidade figuram por entre todas as faixas, o que torna Aqua um álbum bastante coeso.


Realmente, como já foi dito, os músicos estão na sua melhor fase, e o entrosamento da banda é perceptível nas composições. 
Aqueles que não gostavam do baterista Ricardo Confessori (como eu) vão ter que se render à batida precisa, pesada e técnica dele, que fez um excelente trabalho nesse álbum. A "dupla dinâmica" de guitarras está bastante coesa, e se completa de forma surpreendente, o baixista Felipe Andreoli esbanja virtuosismo e o cantor Edu Falaschi demonstra uma grande maturidade vocal, que não estava presente nos álbuns anteriores.


Músicas


1) Viderunt Te Aquae - Previsível? Talvez. A verdade é que essa introdução segue a linha  de inicialização dos álbuns do Angra. Apocalíptica, é recheada de sons de trovões, sinos e um coral que lembra muito monges.


2) Arising Thunder - Seguindo a linha de músicas como Carry On, Nothing To Say e Nova Era, Arising Thunder tem tudo para ser o grande clássico do álbum. Power Metal puro, possui os riffs, solos e lick's rápidos e pesados característicos da banda, mas com diversos momentos e mudanças.


3) Awake From Darkness - O excelente riff do começo engata em outro voltado para notas oitavadas (que será usado novamente nos refrões), e à seguir Edu começa a cantar a letra de forma quase agressiva, o que valoriza a composição. Aos 2: 46 um dos riffs mais pesados já compostos pela banda dá um clima obscuro à música. 
Mas é então que a banda para e apenas um piano faz uma bela linha melódica (me lembrou muito a música The Show Must Go On do Queen), acompanhado por um violino, ao final da qual um solo com pegada e velocidade é executado, lembrando um pouco a música clássica. Pra mim é a melhor do disco, indiscutivelmente.


4) Lease Of Life - Inicia com uma belíssima linha de piano, acompanhada pelo vocal preciso de Edu.  A banda vai entrando aos poucos, dando mais espaço para o piano. Os músicos entram com tudo em 2: 14, com um solo de muita pegada, realmente muito bonito.


5) The Rage Of The Waters - As notas tocadas no início da música dão lugar para um riff que me lembrou bastante Nothing To Say. Em seguida mais ênfase para o vocal, com um instrumental de bastante qualidade ao fundo. Isso vai se sucessedendo até 2: 10, quando Felipe segura a base, e a banda entra em um riff muito pesado, intercalando ele com riffs de baixo. 
Então a composição volta para o andamento normal, e após algumas "firulas", dois solos (para dizer o mínimo) impressionantes são executados. Mais voltados para a velocidade são de grande perfeição técnica. À seguir Edu volta cantando, e o o refrão é novamente executado.


6) Spirit Of The Air - Possui um início com um dedilhado muito bonito. Possui belas mudanças entre peso e calmaria, com texturas bem interessantes. No meio um coral faz uma bela vocalização, e a banda volta com tudo. Um solo extremamente belo é executado, e em seguida o vocal retorna. Termina com uma bela parte instrumental, em que o som daquela guitarra arábica é bem perceptível ao fundo.


7) Hollow - Tem um riff muito pesado no início. A música segue bem pesada até 2: 23, quando um dedilhado incrível de violão é feito (se você viu os vídeos é só lembrar do AntiSquick). Possui um solo com bastante pegada após isso. Na parte final, riffs extremamente pesados tomam conta da música.


8) A Monster In Her Eyes - Começa com dedilhados muuuito bonitos, e depois engata numa bela balada, bem pesada, mas que intercala partes ais calmas no meio, como a parte dos solos. Termina com os dedilhados do início.


9) Weakness Of A Man - Kiko Loureiro realmente fez um belo trabalho nessa introdução, em uma linha de violão que me lembrou música brasileira. Muda bastante, com várias texturas distintas. Realmente uma grande canção, possui solos muito bons.


10) Ashes - Uma linha de teclado bastante obscura serve de base para a voz de Edu, e uma bela balada se segue à isso. Na parte final o peso é mais intenso, mas nada que modifique a beleza geral da composição.


Realmente um álbum excelente bastante complexo, e que trouxe um Angra bastante maduro e entrosado, sem medo de ousar e arriscar um som mais progressivo. Talvez, como diria Edu, Aqua se torne O grande clássico da história do Angra, tamanha sua perfeição e cuidado.


Agora só esperemos que a banda continue unida assim por muitos anos...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Frank Zappa: Quando o Jazz e o Rock Se Unem



"CHIQUINHA!!! "

Gritaria o observador menos atento. Mas, se não for na aparência física, na parte humorística esse músico fotografado acima não está tão longe assim da filha do "Eterno Punk" Seu Madruga.

Nascido em 21 de dezembro de 1940, na cidade de Baltimore, e morto em 4 de dezembro de 1993 por um câncer de próstata (putz...) em Laurel Canyon, Los Angeles, o multi-instrumentista Frank (Vincent) Zappa foi um dos músicos (se não o músico) mais produtivos de todos os tempos, deixando de legado uma obra que ainda está parcialmente inédita.

Atualmente, sua discografia conta com 80 (!) álbuns de estúdio, sem falar dos ao vivo. O cara era uma verdadeira máquina de compor, deixa o "Rei" Roberto Carlos no bolso facilmente.
Extremamente criativo, Zappa foi o criador do Freak Rock, estilo mais voltado para a sátira e o experimentalismo. Também foi o primeiro músico a unir o Jazz e a Música Clássica, o que ele fez de forma magistral. Além disso, através dos anos Zappa realizou vários filmes e escreveu vários livros.

Como Tudo Começou
Em 1964, na cidade de Los Angeles, Zappa formou o grupo The Mothers Of Invention, (originalmente somente Mothers, mas a gravadora não quis lançar um disco de uma banda cujo nome era a contração de Motherfuckers).

Em 1967 lançaram seu primeiro disco, Freak Out! que na minha opinião é um disco excelente, e que trouxe um som bastante inovador e diferente para a época.

Foi o segundo álbum duplo da história (só perdeu para Blonde On Blonde, de Bob Dylan), e foi o primeiro conceitual. Nele, Zappa degrine os valores da América, fazendo também sátira à contra-cultura da época. Para ter uma noção da sonoridade da banda, ouça a primeira música do album, Hungry Freaks, Daddy.


Experimentos


À partir daí, Zappa começou a se reinventar constantemente, fazendo álbuns de diversos formatos diferentes, como as Óperas-Rock 200 Motels de 1971 e Joe's Garage de 1979, álbuns conceituais como We're Only In It For The Money, de 1968, mistura de Jazz com música clássica em London Symphony Orchestra Vol. 1 e 2 (o primeiro em 1983 e o segundo em 1987), e o que mais viesse à mente dele.

Estilo / Personalidade

Zappa era dono de um estilo único de compor e tocar, o que foi muitas vezes ignorado por muitos críticos que simplesmente o subestimavam. Zappa era um exímio instrumentista, e foi uma grande inspiração para o guitarrista Steve Vai, que participou de sua banda. Zappa lançou ainda no cenário musical nomes como Bob Martin e Jean-Luc Ponty.

Era extremamente rígido com os outros músico de sua banda, e nunca admitiu drogas, coisa que ele próprio não consumia.

Apesar de ser pouco mencionado e muito criticado, Zappa é um músico incrível, que, assim como Hendrix, estava à frente de seu tempo, e possibilitou que muitos que viessem depois tivessem uma visão mais ampla das possibilidades da música, seja Jazz, Rock, Música Clássica, Freak Rock ou uma mistura de tudo isso.